19 horas atrás
- Aline Castro
- Sou como as bonecas russas, encaixadas umas nas outras, meu corpo é uma unidade formada por vários corpos. Um veículo fantástico de sentir, pensar, criar e fazer. Sou feita de várias partes e cada uma delas encerra um mundo dentro de si. Hoje sou um caldeirão de sensações e intensidades. Ganhei autonomia e sou reinventada a todo instante por tudo que atravessa o meu caminho, minhas percepções. Da inteligência brilhante aos extremos da loucura, meu cérebro guarda pensamentos, desejos e sonhos, mas só revela uma pequena porção desse conteúdo. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável, agradável, afável. E esses são apenas os "As". Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.
Sem drama.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Sempre fui do tipo estressado. Daquelas pessoas ansiosas que entram em pânico pelo menor problema. Perfeccionista, não sou lá muito capaz de relaxar diante dos desafios. Através da minha experiência inserida numa cultura completamente diferente da que eu estava habituada, conheci pessoas que passaram anos fazendo da existência um fardo, e que ao descobrirem o prazer de brincar de viver me passaram lições valiosas. Primeiro descobri que toda essa encucação pode ser resumida a essa obsessão em ver sentido em tudo, encontrar uma razão para todas as coisas. E depois, descobri que existe solução para tudo menos para a morte. Todas as vivências me deram respostas simples, porém profundas que me fizeram questionar a maneira como encaro o mundo. Não é um processo fácil. Ainda neste momento, estou sofrendo sem precisar, pensando na opinião que os meus leitores vão ter a respeito deste post. Mas um dia eu chego lá no mar da tranquilidade. O segredo é não levar a vida tão a sério. É tão simples quanto dirigir um carro numa estrada. A intensidade com que você vai segurar no volante pode variar, mas a estrada será sempre a mesma, basta decidir se você quer dirigir com esforço ou sem esforço. Então relaxe e curta o visual. Todo mundo sofre, todo mundo passa por momentos difíceis na vida. A morte de alguém amado, a perda de um emprego, O fim de um relacionamento amoroso... Ninguém está livre disso, por mais rico, feliz ou bonito que seja. Vivemos na ditadura da felicidade em que a pressão para estar sempre de bem com a vida aumenta a cada dia, e então sofrer vira sinônimo de fraco. Eu chamo de tirania da alegria. Não é de se estranhar que tentamos evitar a dor e o sofrimento a todo custo, e nessa busca incessante pela alegria colocamos as tristezas embaixo do tapete e nos enchemos de ansiedades, angústias e cobranças. Pouco a pouco perdemos a noção de que sofrer é normal e necessário se soubermos lidar com as dificuldades. Desviar a atenção dos problemas não vai soluciona-los, e além disso, a dor emocional é uma alavanca para a solução de problemas. A dor e o sofrimento são vias de transformação. Eles indicam que não estamos 100% e que é preciso mudar. Um Interessante conceito budista diz que o universo é impermantente. Tudo muda o tempo todo no mundo, como dizia Lulu Santos. E já que nada é para sempre, nem eu e você, não há por que perder tempo tentando controlar a vida e o imprevisível. Aceitar que: coisas acontecem, pessoas morrem, relacionamentos terminam, o carro quebra e o cachorro late, é um passo importante para uma existência tranquila. Tranquilidade agora é meu nome do meio e paz de espírito é meu novo endereço.
Twitando...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
- Para, repara, apara e amarra as raras palavras amargas para madrugar e ficar até raiar e quiça tardar. cantar, encantar e amar. 4:58 AM Aug 25th from web
- Fiz-me mar para findar o meu penar. Xii! maré cheia, vou transbordar. E quando secar serei sal, areia e ar. 4:21 PM Aug 19th from web
- Nunca fiquei bem na sua estante. 2:17 AM Aug 16th from web
- Vegetariano que come bacon? sei...3:38 AM Aug 14th from web
- Não sou estrada, sou desvio.12:57 AM Aug 11th from web
Acompanhe meu twitter: http://twitter.com/castroaline
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- Não sou estrada, sou desvio.12:57 AM Aug 11th from web
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Para que eu me lembre...
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
...de não ser mosca.
"Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida."
Manoel de Barros
"Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida."
Manoel de Barros
Sonho escocês.
domingo, 2 de agosto de 2009
Ilustração: Elefante Verde
Eram dois, um em cada lado dos muros do castelo.
Lá em cima da torre alta, ela cantava olhando o horizonte. Lá nos distantes vales, ele respondia.
Nunca seus olhos se encontraram. Um dia a distância morreu, caída, cansada de tanto ser falta.
E lá veio ele, violão no ombro, nos caminhos estreitos, cantando o encontro.
Ela, do alto da torre, viu a figura que vinha na estrada. Um estranho sorriso nasceu em seus lábios e ela soube que ele vinha chegando.
Ele, da terra, soltou o seu verbo. E ela do alto, voltou em rima.
Por cima dos muros , os dois se encontrando, mil notas planando, descendo, brotando...
E dizem que em noites de lua vermelha ainda se ouve seus cantos largados. São eles cantando por cima do muro. Ela na torre e ele na estrada.
Torto e flamejante.
Uma impossibilidade azul flamejante, uma fase inteira....
Vício irremediável que acelera involuntariamente uma ilusão consciente e gostosa, mas retarda o pensamento racional pra se fazer loucuras.
Crio mundos de beijos surdos e mãos desejosas. Transpiro álcool verde-água. Cílios. Calor tonto de um não saber fingido, do não, do total poder sobre tudo e sem noção.
Choques de irrealidade. Te tiro do mundo de fora e te traduzo em olhares molhados e brilhantes, conceitos libertinos, metáforas para me envolver com confusões necessárias para toda a aceitação absurda. Por que conquista tudo?
Encantamento em carne pura, brincadeira séria, palavras erradas e principalmente um transbordamento intenso de vida. Totalmente consciente e ingenuamente falso e torto.
Vício irremediável que acelera involuntariamente uma ilusão consciente e gostosa, mas retarda o pensamento racional pra se fazer loucuras.
Crio mundos de beijos surdos e mãos desejosas. Transpiro álcool verde-água. Cílios. Calor tonto de um não saber fingido, do não, do total poder sobre tudo e sem noção.
Choques de irrealidade. Te tiro do mundo de fora e te traduzo em olhares molhados e brilhantes, conceitos libertinos, metáforas para me envolver com confusões necessárias para toda a aceitação absurda. Por que conquista tudo?
Encantamento em carne pura, brincadeira séria, palavras erradas e principalmente um transbordamento intenso de vida. Totalmente consciente e ingenuamente falso e torto.
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